Foi em Fevereiro de 1998 que me dirigi ao consultório de um ex-cliente dentista para saber porque razão não me continuava a solicitar o fornecimento de próteses dentárias como até Outubro de 1997 o fizera. Achei estranho porque os meus trabalhos sempre costumavam multiplicar alguns clientes. Inicialmente não me quis receber, mas eu tanto insisti por uma explicação que acabou por me receber.
-Bom dia Sr Dr, como tem passado? Deixou de me solicitar mais trabalhos? Está descontente com os meus serviços? Não quer ser mais meu cliente?
-Não, (diz ele). Tu és muito bom no que fazes!
-Então se está contente com o meu trabalho, porque não mo continua a solicitar?
-Tu és mesmo muito bom no que fazes. Neste país não te safas! Porque não vais para os States? Lá sim, terias futuro. Vai para a América, vai para Hollywood...
-Não estou a perceber! Então está a dizer bem dos meus serviços e por outro lado não quer que lhos forneça mais. Mas isso é uma contradição! (dizia eu).
-Sabes, isto é um negócio e eu vivo disto। Os meus doentes são na maioria beneficiários da ADSE, e como tu sabes a ADSE paga-lhes novas próteses de três em três anos। Pois eu já tentei substitui-las e não consigo, preferem usar sempre a tua...

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